“And what I didn’t know, or couldn’t see then,
Was that she hadn’t really gone.
The dead don’t go till you do, loved ones.
The dead are still here holding our hands.” *
É com essa reflexão sobre a morte que a escocesa Jackie Kay encerra Darling, poema dedicado a uma grande amiga sua, a também poeta Julia Darling. O texto, que relata os últimos momentos de convívio das duas, constrói com delicadeza a imagem de uma despedida carinhosa, madura e sem melancolia.
O vídeo a seguir foi gravado na Biblioteca Central de Edimburgo, em 2010. Nele, Kay recita duas poesias de temáticas bastante distintas, mas que ela interpreta de maneira coesa, leve e bem-humorada. Além de Darling, Kay interpreta Maw Broon’s vagina monologues, que relata o processo de autoconhecimento sexual de uma personagem de quadrinhos do jornal The Guardian.
Jackie Kay é uma das atrações confirmadas para a 10ª Flip. Além de poeta, ela é autora do romance O Trompete, sobre um músico que viveu a vida toda como homem, até a morte revelar seu verdadeiro sexo biológico. Para escrevê-lo, Kay inspirou-se na história real do jazzista Billy Tipton.
* “E o que eu nāo sabia, ou que nāo podia ver,
É que ela nāo tinha ido,
A morte nāo vai enquanto continuarmos aqui, amando.
A morte continua segurando as nossas māos”
(em uma traduçāo livre)