Diretamente do LitCologne

Por Miguel Conde, Curador Flip 2012

Rainer Osnowski conta em casas decimais o sucesso de sua ideia. Esse jornalista alemão, que aprendeu português em longas incursões como repórter pela Região Amazônica, é desde 2001 um dos diretores do maior festival literário da Alemanha. Com 10 dias de duração e mais de 170 eventos espalhados pela cidade, o LitCologne, chegou este ano à sua 12 edição reunindo em Colônia um público estimado em 80 mil pessoas e nomes como Javier Marías, Martin Amis e o ganhador do Nobel Tomas Tranströmer na lista de convidados.

Osnowski criou o festival no começo da década passada com os amigos Edmund Labonté e Werner Köhler. Queriam, ele diz, dar à literatura uma escala que o público alemão estava mais acostumado a associar a outras artes. ” Temos uma grande tradição de leituras e debates com escritores, mas o formato usual é de encontros para 30 ou 40 pessoas. Mostramos que um encontro literário pode ter o público de um show de rock.”

O festival ocupa de auditórios com 300 lugares a uma casa de shows com 4.500. No sábado, dia 17, Jeffrey Eugenides comentou seu livro The Marriage Plot num barco que subia e descia o rio Reno lotado de gente. Um debate numa edição anterior do festival entrou no Guinness, conta Osnowski, ao reunir 15 mil pessoas num estádio esportivo.

Além de autor e moderador, as mesas têm atores que se encarregam da leitura de trechos dos livros discutidos. Os mais famosos são escalados para as mesas dos escritores menos conhecidos, para chamar público. As melhores mesas de cada dia são transmitidas, em versão resumida, nas estações de rádio regionais. Apesar da comparação entre debates e espetáculos, há mesas em que metade ou mais do tempo é dedicado apenas à leitura. E, numa pequena amostra de três debates, a condução das conversas se encaminhou mais para o reflexivo do que para o anedótico.

Numa cidade que antes da crise chegou a destinar 7% do seu orçamento para investimentos em cultura (hoje a cifra está em 4%), o festival é desde o começo financiado pela venda de ingressos (entre 10 e 13 euros) e por patrocinadores privados. O preço da entrada cai para 2 euros nos debates para crianças e adolescentes, que com 70 eventos ocupam quase metade da programação total. Toda a atenção recebida pelo festival tem valor na medida em que estimula a leitura e afirma a literatura como algo importante, diz Osnowski.

*Miguel Conde viajou a convite da Secretaria de Cultura do estado da Renânia da Norte-Vestifália.

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