Archive for junho \29\UTC 2012

Flipinha!

29-06-2012

A Flip também é dos pequenos. A Flipinha que cresce junto e também comemora 10 anos em 2012.  Esta festa é destinada principalmente aos leitores mirins e conta com uma vasta programaçāo e um trabalho construído o ano inteiro por Cristina Maseda e Gabriela Gibrail.

A peça gráfica é do designer Alexandre Benoit.

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“Lucio Cruz Convida Júlio Paraty”

28-06-2012

 

Por Ana Liz Justo *

Neste sábado, 30 de Junho, às 20 horas, acontecerá a abertura da exposição “Lucio Cruz Convida Júlio Paraty”, no Atelier Lucio Cruz, que ficará até o dia 29 de julho. O encontro desses dois grandes artistas, certamente contribuirá para o enriquecimento do acervo artístico e cultural paratiense, e é uma oportunidade única de ver as expressivas obras desses dois artistas juntos.

Julio Paraty é um dos artistas-plásticos mais reconhecidos da região. O corpo de sua obra pode ser considerado uma documentação da cultura popular de sua terra, da qual ele inclusive adotou o sobrenome. É nela que ele encontra inspiração – em suas tradicionais festas, em seus casarios históricos, em seus santos e relicários.

Em mais de 40 anos de trabalho, Julio aprimorou seu olhar e sua linguagem. Nas palavras do cineasta Luiz Carlos Lacerda: “De um quase expressionismo figurativo representando o folclore paratiense de sua primeira fase, passou por uma consciente influência impressionista nas paisagens que serviram de pano-de-fundo ou emolduraram alguns de seus painéis hoje encontrados em coleções particulares espalhadas pelo mundo, em geral reproduzindo a procissão da Festa de São Pedro ou a trezentista Festa do Divino Espírito Santo…” “…A pintura desse artista forjado fora das academias, mas na dedicação diária ao seu cada vez mais refinado trabalho, chegou a um requinte de detalhes só encontrado nos santos retratados pelas melhores Escolas da hisória da Arte”.

Seu talento é reconhecido dentro e fora de Paraty, e já foi exposto pelo Brasil e na Europa. Lucio é paratiense, e um dos artistas-plásticos mais reconhecidos da região. Suas obras, elaboradas em papel machê e coloridas com tinta acrílica, são inspiradas na cultura popular, nas festas tradicionais da cidade (profanas e religiosas), e nas formas das pessoas de sua terra.

Seu trabalho tridimensional emociona pela resignação nas expressões das figuras representadas, e pelas cores vibrantes, que transmitem a alegria e simplicidade de seu povo.

Filho de nossa terra e nascido em uma família tradicional de Paraty, Lucio teve acesso ao patrimônio cultural da cidade desde muito pequeno. As festas tradicionais despertavam especialmente sua atenção, e ainda na infância ele aprendeu a técnica de papel machê, fazendo máscaras para os foliões que saíam nos blocos para abrir o carnaval.

Como artista, Lucio sempre buscou aprimorar seu olhar e ampliar seu conhecimento, e foi com esse intuito que morou por um período em Pernambuco e na Bahia, onde reforçou sua temática principal na representação das manifestações da cultura popular.

Todo esse talento pode ser visto em várias partes do mundo, já que suas obras são algumas das imagens mais utilizadas na divulgação da cidade, como referência em destino cultural do país.

O Atelier Lucio Cruz fica na Rua Dona Geralda, S/N, e a exposição ficará em exibição até o dia 29 de Julho. 

 

Suspirar por Paraty

28-06-2012

Por Isabel Coutinho *

Muito antes de eu pisado pela primeira vez o chão de Paraty durante a FLIP – Festa Literária Internacional de Literatura, em 2009, já os meus pés se preparavam para aquelas pedras. Tinha sido avisada pelo escritor francês Olivier Rolin, durante uma entrevista que lhe fiz em Lisboa, para a falta de equilíbrio provocada pelas pedras no caminho depois de mais uma rodada de cachaça. Também tinha ouvido o holandês Cees Nooteboom, a escocesa Ali Smith e o britânico Julian Barnes falarem da singularidade deste festival literário numa Paraty tão paradisíaca que, como argumentava Barnes, parecia o “Brazil for the English to see”.

José Eduardo Agualusa lembra sempre com emoção a primeira vez que esteve em Paraty ao lado de Caetano Veloso que acabara de conhecer. Também Ondjaki, Inês Pedrosa, Gonçalo M. Tavares e José Luís Peixoto sabem que terem sido convidados da FLIP, em Paraty, foi importantíssimo para a sua projecção no Brasil.

Mas foram as descrições e entusiasmo do escritor português Miguel Sousa Tavares, que participou na mítica FLIP de 2004 e teve, em tempos, a ideia de fazer uma FLIP em Portugal, que me fizeram de uma vez por todas meter os pés ao caminho. Com as dicas do autor de “Equador” no bolso e os conselhos sábios do escritor Francisco José Viegas – actual Secretário de Estado da Cultura de Portugal, autor de “Longe de Manaus” que viveu no Brasil -,  lá fui para viver a festa naquela “cidade do século XVIII quase congelada no tempo”, como a descreveu Robert Dartnon.

Depois de quase duas décadas a cobrir feiras literárias internacionais, que vão da frieza de Frankfurt à ode aos bibliotecários que é a Book Expo America, encontrei na FLIP aquilo que nunca vi em outros lugares. Na Festa Literária Internacional de Paraty, acontecem coisas que não poderiam acontecer em nenhum outro lugar do mundo. Eu não sabia que havia quem se pendurasse em estruturas metálicas e subisse até à copa de árvores para ouvir falar de literatura. Vi isso na sessão de Chico Buarque e Milton Hatoum, em 2009. Eu não acreditava que houvesse um moderador capaz de amansar António Lobo Antunes em cima de um palco. Aconteceu na FLIP em 2010, com Humberto Werneck. Nunca imaginei que um escritor quase desconhecido podia transformar-se, de uma hora para a outra, numa ‘pop star’: vi isso acontecer, em 2011, com Valter Hugo Mãe.

Na FLIP em Paraty, e talvez seja da pinga mas eu não bebo, tudo lembra o paraíso. Chegamos lá e não queremos nem saber das fortes picadas dos mosquitos, dos preços exorbitantes cobrados por esses dias, das longas filas de espera nos restaurantes, da música infernal ao vivo, bar sim, bar não, e dos gritos dos bêbados que se prolongam noite fora quando tropeçam no centro histórico de Paraty. É tanto o entusiasmo pelo livro e pela literatura que até nos esquecemos do que foi preciso fazer para chegarmos até ali. Não basta querer ir à FLIP. É preciso gastar algum dinheiro e ter força de vontade para ultrapassar todas as etapas. Marcar uma pousada é uma saga: estão sempre cheias e, em média, os preços cobrados rondam mais de mil euros pela estadia nos dias do evento. Depois é preciso reservar os ingressos para as mesas. É um desespero até para quem os compra no Brasil. As sessões mais disputadas esgotam nas primeiras horas. Mas quando chega finalmente o dia e se desce no centro histórico daquela cidade brasileira que faz parte do passado de Portugal, depois de percorrer dentro de uma carrinha, e numa estrada cheia de curvas, os quilómetros que vão do Rio de Janeiro até Paraty, respira-se fundo. Sabemos que a partir dali, por alguns dias, vamos viver a literatura de uma forma inesquecível. E no fim vamos regressar a casa, do outro lado do Atlântico, e passar a ser mais um a suspirar pela FLIP em Paraty.

 

* Isabel Coutinho é jornalista do diário português PÚBLICO e assina a coluna de “Diário de Lisboa” na Ilustríssima. Foi pela primeira vez à FLIP em 2009 e tem regressado todos os anos.

Tá chegando!

22-06-2012

por Alexandre Benoit, designer da Flip.

“Os filhos da Flip”

21-06-2012

por Edney Silvestre *

“Ah, que pena, a Flip virou uma palhaçada e não vai durar muito mais”, eu pensei, triste, quando vi – talvez logo na segunda ou terceira edição – o ministro da cultura, como num carro alegórico, desfilando carnavalescamente e acenando para fotógrafos, cinegrafistas e turistas, a bordo de uma charrete, a sacolejar sobre as pedras das ruas de Paraty.

Não foi a única vez que me vi lamentando o desmoronamento de uma boa ideia.

Eu tinha ido à festa literária desde a primeira, aquela em que os autores ainda podiam caminhar pelas ruas, sentar-se nos botequins, tomar umas e outras, saírem trôpegos ou baterem papo com os visitantes e os nativos, sem se preocupar com as revistas de celebridades, os sites de fofocas, as câmeras dos celulares ou as digitais de nove-noventa-e-nove a registrar cada passo (muitas vezes em falso) que davam.

Testemunhei decisões altamente equivocadas, na busca do sucesso.

Numa das edições amontoaram cantores e músicos que também escreviam. Alguns, bem. Outros, lamentavelmente.

Me lembro de uma Flip em que a americana Toni Morrison, mais do que se achando, saía da Pousada da Marquesa cobrindo-se com uma capa, para evitar fotos e imagens não autorizadas.

Vi a mesma aversão a fãs e mídia com o sul-africano Coetzee, que só topava sair de barco e falar aos poucos que tinham conseguido ingresso para a tenda principal.

Pessoalmente acho que esses tipos nem deviam ser convidados, mas Coetzee e Morrison, ao menos, eram ganhadores do Nobel de Literatura, em 2003 e 1993, respectivamente.

Pior foi o britânico Hanif Kureishi.  Na época tinha alguma notoriedade por conta da adaptação de “My beautiful laundrette” para o cinema.

Primeiro Kureishi pareceu fugir dos holofotes. Depois passou a circular por trás de todo e qualquer entrevistado para o qual apontássemos as câmeras e luzes, como um desses papagaios de pirata que vez por outra perturbam transmissões ao vivo.

Enquanto essas bizarrices estelares se sucediam, gente do calibre de Eric Hobsbawn, do alto dos seus (então) oitenta e muitos anos (ou já teria chegado aos 90?), ou a igualmente ganhadora do Nobel de Literatura Nadine Gordimer, ou o dandy Gay Talese, atendia a todos os que os abordavam, estivessem ou não carregando seus livros.  Tal como Adélia Prado, Ian McEwan, João Ubaldo Ribeiro, Salman Rushdie, Neil Gaiman e a maioria dos convidados, ao longo destes anos todos.

Acompanhei cada edição da Festa Literária de Paraty como jornalista.

Tive o privilégio, também, de participar como autor, na Flip do ano passado, 2011.

Cá meu testemunho, tanto como escritor, quanto na pele do repórter: a Flip foi um dos elementos deflagradores do estupendo interesse do leitor brasileiro e auxiliar poderoso do crescimento do mercado editorial em nosso pais.

Cada vez que a Liz Calder passa perto de mim (aviso que não sou amigo dela, que ela nunca me reconhece e que sempre me apresento, recebendo dela um “prazer em conhecê-lo” a cada vez), tenho vontade de aplaudir.

Deveria.

Quando a Flip começou, por obra, graça e incansável esforço dessa inglesa, era uma das poucas celebrações públicas do livro no Brasil, junto com Passo Fundo, as Bienais e outras mínimas.

Hoje, dez anos depois, as festas literárias, no país todo, passam de uma centena.

Ano que vem devem chegar a 150.

Filhos e filhas da Flip, com certeza.

Estou pagando pela língua.

Ainda bem.

* Edney Silvestre é jornalista e escritor.

A Flip antes da Flip

19-06-2012

por Paulo Roberto Pires

Minha primeira Flip aconteceu em 2002 e bem longe de Paraty. Em junho daquele ano, Liz Calder e Louis Baum receberam calorosamente em sua casa de Londres a equipe que cuidaria da primeira edição da festa.  Nos conhecemos num almoço e dias depois embarcamos para Hay-on-Wye, cidade no País de Gales onde acontece o festival que desde o início foi o modelo para Liz e Luiz Schwarcz.

Na caravana que se formou, eu viajava como co-responsável pela programação, entregue ao Flávio Pinheiro. A turma, animadíssima, era formada por Belita Cermelli e Mauro Muñoz, que seriam diretores da Flip; pela hoje editora da Companhia das Letras Julia Moritz Schwarcz e Luiz Henrique, seu então namorado e hoje marido; havia ainda os autores da Bloomsbury, editora da Liz, que lançavam livros por lá: o inglês-carioca Alex Bellos, Patricia Melo e Milton Hatoum, que viajava com sua mulher, Ruth Lanna, editora e futura curadora da terceira e quarta edições da Flip.

Não era difícil imaginar o espírito de Hay em Paraty. Havia ali uma novidade decisiva: não se tratava de uma feira de livros, de uma conferência ou de um programa de palestras. O que acontecia era, de fato, um festival, com lugar para Margareth Atwood, show de Macy Gray, Christopher Hitchens e até para um improvável circo – que, aliás, assistimos entre uma coisa e outra. De volta a Londres, uma bateria de reuniões que se prolongou no Rio, em São Paulo e em Paraty.

Um ano depois, a primeira Flip se tornou uma realidade palpável para mim quando, da porta da Pousada da Marquesa, vi descerem de uma van Ana Maria Machado, Don DeLillo e Eric Hobsbwam, que cumprimentou a todos com apertos de mão e uma singela saudação: “I’m Eric”.

Naquela altura, eu participava da Flip de outra forma: deixei a programação porque virei editor e lançava Paraty para mim, resultado do projeto docemente irresponsável de trancar três jovens escritores na cidade – Chico Mattoso, João Paulo Cuenca e Santiago Nazarian – para que escrevessem contos ali ambientados. Para mim e, acredito, para eles, foi um inesquecível começo de carreira.

De lá para cá, minha vida profissional – e não apenas ela – jamais se separou da Flip, que serviu até de cenário para um romance que escrevi. Foram momentos hilários e emocionantes com autores que editei e pelo menos uma tarde épica na tarefa de conciliar, como mediador, a fina ironia de Humberto Werneck e a desembestada força da natureza chamada Xico Sá.

Pensando nesta data redonda e, é claro, advogando em causa própria, sugeri ao Mauro Muñoz que entregue esse ano a Pedra de Ouro, prêmio que aludiria à irregularidade do calçamento da cidade para contemplar a regularidade de seus frequentadores. A cerimônia, não se preocupem, será rápida, pois somos poucos os que não furaram uma Flip. E que esperam, em 2022, ganhar a Pedra de Platina.

Direto da Fonte

14-06-2012

Começou!

14-06-2012

Senhoras e senhores;

Cheios de orgulho apresentamos….

a primeira foto da montagem 2012!

O contorno da Tenda dos Autores desenhado na paisagem.

Faltam 20 dias para Flip. Todos prontos?

 

 

“Penso na Flip e em Paraty como um paraíso alucinante”

13-06-2012

Por Alan Pauls *

A Flip foi o primeiro festival literário que fui convidado na minha vida. Tive uma impressāo estranha, quase alucinatória, à la Aldous Huxley, como se me tivessem transportado a um mundo paralelo em que  nāo houvesse nada mais importante do que um escritor. Todos os eventos funcionavam com lotaçāo maxima, as pessoas nos abordavam nas ruas para pedir autógrafos , as crianças apontavam para qualquer transeunte e perguntavam: “Este também é um escritor?”, toda a cidade estava lotada de banners com nome de escritores, títulos de livros, temas de debates… Até Coetzee sorria!. Nāo sei dizer quantos dias durou o festival. Parece que foram muitos, eternos. Em um momento, para me desintoxicar, aceitei passear de barco por algumas ilhas ao redor de Paraty. Com duas horas de passeio, já queria voltar. Precisava da minha dose, como se fosse um viciado. Alguém, de  bom coracāo, que ama os escritores de verdade, me fez repousar em um canto e me obrigou a contemplar este “mar” durante as seis horas seguintes. Me salvou a vida. Mas desde entāo (e isso que conheço muitos festivais literários), penso na Flip e em Paraty como um paraíso alucinante, que prova que é agradável ser escritor e que ao mesmo tempo seria difícil viver em um mundo somente de escritores.

* Alan Pauls é um escritor argentino, participou da Flip em 2007 e é autor de O Passado, A história do pranto, A história do cabelo entre outros.


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