Archive for julho \08\UTC 2012

Fim da décima Flip…

08-07-2012

 

pelo designer Alexandre Benoit.

 

Até ano que vem!!

O menino que matou Chico

07-07-2012

 

Uma das novidades da Flip 2012 é a praça entre a Tenda dos Autores e a Tenda dos Autógrafos. Ali, podem ser vistos os trabalhos do escultor paratiense Dalcir, da ceramista contemporânea Norma Grinberg, além da exposição Leitores, que apresenta fotos de alguns autores que já passaram pela Flip, feitas pelo fotógrafo Walter Craveiro. O próprio Walter caminhava pelo iluminado espaço na sexta à noite quando um menininho de menos de 10 anos parou para observar o painel com a legenda das fotos, que traz o nome do autor e o ano de sua participação. Ao ver a foto de Chico Buarque e o ano de 2004, o menino olha para Walter e pergunta, intrigado: “Moço, foi em 2004 que ele morreu?”.

Histórias de pescador

07-07-2012

Não é mentira: a vocação literária e as tradições de Paraty foram mais uma vez celebradas na Flip, com a mesa sobre o lançamento do livro Cultura Caiçara, do pescador, artista plástico e escritor paratiense Almir Tã. Conhecida e querida figura local, Almir iniciou o bate-papo enaltecendo sua origem caiçara. E contando que, como irmão de 7 mulheres, começou a trabalhar com apenas 10 anos, tendo uma infância marcada pela privação de brincadeiras e grandes diversões. Vivendo da pesca por muitos anos, Almir começara a pesquisa e os rascunhos do seu livro no longínquo ano de 1980. Após mais de 8 anos de trabalho, empolgado com a promessa de publicação do conteúdo feita por uma pessoa conhecida, Almir entrega a ela as 450 página que havia produzido. E nunca mais tem notícia do material.
Apoiado pela professora Graça Lima, que assina o projeto gráfico do livro, as histórias e a pesquisa de Almir foram retomadas e finalmente ganharam uma caprichada edição. O livro documenta tradicionais saberes e fazeres dos pescadores e moradores de Paraty, como a manufatura da rede de pesca, a construção das canoas e o uso de velas específicas nos barcos. Além disso, apresenta deliciosas histórias, que Almir contou para o auditório lotado, entretendo e divertindo a plateia. As histórias ziguezagueam pela fronteira entre a realidade e a lenda, narrando casos como o do homem que pescava cações de quase 2 metros no braço e o do pescador que teve 17 noivas e batizava suas canoas com os nomes das moças. O envolvimento de Almir com as letras ganhou força quando ele achou uma caixa com 15 livros que seriam jogados no lixo. Indignado, pegou para si os livros e com eles iniciou a montagem uma biblioteca na sua casa, que passou a deixar aberta para que todos tivessem acesso às publicações. Atualmente, a biblioteca conta com um acervo de mais de 3000 livros e foi considerada “Ponto de Cultura” pelo Ministério da Cultura. A mesa foi um raro momento em que a história de vida e os conhecimentos do próprio autor são tão interessantes e ricos quanto o livro.

Com as lentes sobre a Bahia

07-07-2012

Por Ana Liz Justo

No dia  5 de Julho, a Flip recebeu a fotógrafa Iêda Marques para participar do módulo “Festas de Paraty – Cultura e Identidade“, com o lançamento de seu primeiro livro, Iêda Marques – Lembranceiras, imaginário e realidade  (Solisluna Editora)

 Iêda foi ganhadora do Prêmio Marc Ferrez de Fotografia (Funarte), e tem seu trabalho exibido no Museu de Arte de São Paulo e no Museu da Casa Brasileira. Baiana e ativista ambiental desde a década de 70, ela trabalha sua fotografia visando sempre a valorização da riqueza cultural e natural da Chapada Diamantina e do Oeste baiano, explorando a caatinga e o serrado. A artista classifica seu processo criativo como intuitivo, trabalhando prioritariamente em função da cena e da luz que estão em frente à câmera, e usando como filtro apenas o olhar. 

 No livro, a autora explora a vida no sertão, as alegrias, encantos e agruras de sua paisagem e seu povo. Através de prosa e imagens, Iêda revela um olhar poético sobre atividades cotidianas, brincadeiras infantis e paisagens pouco conhecidas da Chapada Diamantina. Contextualizando fotos com palavras, o livro narra uma vida inspirada na rota leste-oeste, que marcou a trajetória de seu pai e refletiu-se em sua própria.

A obra reúne registros fotográficos obtidos desde a década de 80 até os dias atuais, e o texto foi maturado aos poucos, encorajado por professoras da Unicamp que a ouviram em uma palestra e insistiram para que ela escrevesse tudo aquilo que dizia. Sempre preocupada em estimular sua comunidade sertaneja à  voltar o olhar para a arte, Iêda percebeu que este público veria sua mensagem com maior clareza se ela fosse transmitida também em palavras. A narrativa do livro segue em um fluxo de conversa, pontuada por explicações, sem capítulos nem amarras, quase num bate-papo que convida o leitor a mergulhar em suas imagens e senti-las  profundamente. 

 Para a autora, o livro é principalmente uma extensão de seu ativismo ambiental e de seu engajamento na luta pelas causas sociais de seu povo. “Meu interesse é que a população rural veja como somos capazes, como podemos ousar, colocar o sentimento e a criatividade a serviço da nossa causa e da nossa própria subsistência”, explica a fotógrafa. Algumas das imagens que podemos ver em seu livro são registros de cozinhas, e com elas a autora sintetiza sua reflexão sobre sustentabilidade, e finaliza com um pensamento valioso: “Se você cuida da sua casa, você tem de cuidar da casa maior, que é o planeta.” 

Após esse lançamento em Paraty e outro em Salvador, o livro de Iêda será lançado oficialmente em São Paulo no dia 7 de Agosto, às 19h30, no Museu da Casa Brasileira

 Durante sua passagem pela Flip, tivemos a oportunidade de conversar com a autora. 

Flip: Qual a temática que você aborda em suas fotografias?

Iêda Marques: Tudo no meu trabalho diz respeito ao meu cotidiano. Sou uma ativista sócio-ambiental e minha missão é revelar a identidade cultural do meu povo. Minhas imagens registram de maneira simples e digna traços da cultura do oeste baiano e da Chapada Diamantina, que normalmente são vistos através dos olhos de pessoas de fora, como cineastas e dramaturgos que usam nossa terra como pano de fundo para suas histórias. Com as minhas fotografias, consigo mostrar para o povo desses lugares a terra em que eles vivem sob o olhar de uma deles, uma nativa. 

 

Flip: Como é o processo do seu trabalho e o que você leva em conta na hora de fotografar?

Iêda: O livro Iêda Marques – Lembranceiras, imaginário é realidade é o resultado de mais de 40 anos de trabalho. As fotografias foram tiradas com câmera analógica, que era a única que existia na época em que comecei. 

Todo meu trabalho, de 1992 para cá, baseia-se nos princípios da Agenda 21, como por exemplo trabalhar olhando para o meu canto, para o lugar onde eu vivo, constatando e mostrando o que é bacana e o que precisa ser melhorado, tudo isso de forma sustentável. Venho de uma família que trabalha com abelhas nativas brasileiras (indígenas sem ferrão), e valorizo a agricultura familiar, o fato de um povo poder se sustentar com sua própria cultura. Nas fotos, prezo pela simplicidade da cena que vou retratar, aproveitando ao máximo sua beleza natural.

 Flip: O povo das comunidades que você retrata têm acesso à essas obras? durante o desenvolvimento dos projetos você utiliza mão-de-obra local?

 Iêda: Todo meu trabalho é primeiramente visto pelas comunidades, e só depois é divulgado para o restante do país. Todo o trabalho rural que é feito no processo é derivado das pessoas da zona rural. Além disso, o livro foi 100% feito na Bahia. 

 Flip: Como foi que você se interessou e teve a oportunidade de trabalhar com fotografia?

Iêda: Eu nasci em Boninal em 1953, me mudei para Barreiras, no oeste baiano, em 1960 e em 1966 meu pai falesceu. Em 1969 me mudei com minha mãe e irmã para São Paulo, e chegando lá, logo quis conhecer o rio. Quando descobri que ele era cimentado e aprendi o que era esgoto – e que ele me impossibilitava de tomar banho e beber a água do rio – fiquei tão assustada que disse para minha mãe que queria voltar para a Bahia. Foi quando ela me explicou que em São Paulo a água que bebíamos e usávamos para tomar banho vinha de outro lugar. Ainda inconformada, comecei a ir à Estação de metrô da Luz para abordar as pessoas e perguntar de onde elas vinham e como sobreviviam naquela cidade. Um tempo depois fui estudar Pedagogia na USP, pois queria trabalhar com educação e poder voltar para minha terra e dizer para as pessoas não irem para São Paulo. Não concluí o curso, voltei para a Bahia, e lá fiz um curso de fotografia. Foi aí que descobri uma maneira de mostrar ao povo do sertão as belezas e problemas de sua terra de uma forma digna e bonita, e ensiná-los a pensar as coisas de uma maneira sustentável. 

 Flip: Qual a importância de estimular o olhar do povo do sertão nordestino para trabalhos como o seu?

 Iêda: É importante por causa da estima. Hoje estamos em época de seca, e eles estão lá sabendo que eu estou aqui, que vim lutar pelo meu trabalho e pela minha causa. Eles sabem que enquanto estou aqui consigo renda para depois poder gerar renda para eles. É importante mostrar para a comunidade que eles são valiosos, que o lugar onde vivem e aquilo que fazem têm beleza e valor.

Cirandando

06-07-2012

A ciranda é uma das mais importantes manifestações da cultura tradicional Paratiense.  E para festejar os 10 anos da Flip, a Tenda da Flipinha recebe uma programação especial, onde os grupos cirandeiros de Paraty colocam todo mundo pra dançar. Ontem foi a vez dos Coroas Cirandeiros, o grupo de ciranda mais antigo de Paraty. Mestre Verino e seus companheiro subiram ao palco para mostrar a beleza e importância de se valorizar a cultura caiçara.

E pra quem perdeu uma dica: seu Verino disse que pra não esquecer as letras e enferrujar os dedos os Coroas Caiçaras tocam todos os sábados e domingos na Rua do Mercado.

Itabira na Flip

06-07-2012

A ensolarada sexta-feira começou com uma série de eventos que celebraram a presença na Flip de Itabira, cidade mineira onde Carlos Drummond de Andrade nasceu. Logo cedo, às 8 horas, chegou ao centro histórico de Paraty a Cavalgada Cultural, um grupo de 16 cavaleiros que viajou centenas de quilômetros para se juntar à comitiva da cidade  do autor homenageado. A Cavalgada percorreu grande parte de Estrada Real, antigo caminho por onde o ouro das Minas Gerais era trazido para ser levado à Europa, através  do porto de Paraty.

Em seguida, houve declamação de poemas pelos Drummonzinhos, crianças itabiranas que estudam a obra do autor, e a apresentação de músicas folclóricas por um grupo de lavadeiras. Elas mantém vivas as tradicionais canções entoadas durante a lavagem das roupas nos rios de Minas Gerais. A delegação itabirana é composta por mais de 100 pessoas, incluindo o prefeito da cidade que, juntamente com o prefeito de Paraty e com Pedro Drummond, neto do poeta, descerrou uma placa doada por Itabira com o poema Confidência do Itabirano, que você pode ler abaixo.

Alguns anos vivi em Itabira.

Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.

Noventa por cento de ferro nas calçadas.

Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:

esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa…

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

Um pouquinho sobre a mesa Zé Kléber

05-07-2012

Hoje de manhã, a Flip assistiu à Mesa Zé Kléber, que leva esse nome em homenagem ao poeta, ator, músico, cineasta e ativista político paratiense. É uma mesa especial que tem como objetivo discutir políticas públicas voltadas ao universo cultural e que recebe um grande número de moradores de Paraty.

O tema deste ano foi “Leitura no Espaço Público”, um diálogo entre as experiências dos programas de bibliotecas da Colômbia e do Brasil. Com mediação de Écio Salles, teve a participação de Silvia Castrillón, especialista colombiana em políticas públicas envolvendo a leitura e que teve papel determinante na implantação das bibliotecas em seu país. Ao lado dela, sentou  Alexandre Pimentel, diretor da primeira biblioteca parque do Rio, localizada em Manguinhos, região com alto índice de violência na zona norte carioca. O conceito de biblioteca parque é o de implantar em regiões carentes um espaço de convivência, com experiências artísticas, acesso à leitura e formação cultural continuada.

Pimentel discursou sobre a quebra de paradigmas que ocorreu com a implementação da biblioteca de Manguinhos. Ideias preconceituosas, como a de que uma biblioteca em uma favela seria constantemente roubada ou que livros não seriam devolvidos, foram derrubadas. O diretor contou que um dos livros mais manuseados é um sobre a obra de Oscar Niemeyer. Intrigado, pesquisou e descobriu que o livro estava gasto não por mal uso, mas por muito uso. As pessoas retiravam-no com frequência, segundo ele, porque elas já têm uma referência sobre esse autor. “Se criarmos referências, as pessoas podem se interessar por qualquer livro”, concluiu.

Silvia Castrillón elucidou pontos sobre a bem-sucedida experiência colombiana das bibliotecas-parque, que tem transformado o cotidiano da periferia de cidades como Bogotá e Medellin. “O que faz uma biblioteca não é o edifício, nem os livros, mas sua capacidade de convocação para que todos descubram esse bem público que é a palavra escrita”, disse a educadora.

A mesa foi encerrada com a participação do público, que contou com o enfático discurso do músico paratiense Luis Perequê. Ele cobrou uma participação mais efetiva da população no processo de implantação da Biblioteca Parque de Paraty, um projeto que já em fase de desenvolvimento.

Pílulas de Drummond

05-07-2012

A primeira mesa do dia começou com uma declamação deste poema

Destruição

‘Os amantes se amam cruelmente

e com se amarem tanto não se veem.

Um se beija no outro, refletido.

Dois amantes que são? Dois inimigos.

 

Amantes são meninos estragados

pelo mimo de amar: e não percebem

quanto se pulverizam no enlaçar-se,

e como o que era mundo volve a nada.

 

Nada, ninguém. Amor, puro fantasma

que os passeia de leve, assim a cobra

se imprime na lembrança de seu trilho.

 

E eles quedam mordidos para sempre.

Deixaram de existir mas o existido

continua a doer eternamente.’

 

Carlos Drummond de Andrade

(aos poucos postaremos os poemas de Drummond que estão sendo recitados, em voz off, no começo de cada mesa)

Verissimo e a conspiração da Flip

05-07-2012

Leia o texto na íntegra que o jornalista e escritor Luis Fernando Verissimo falou nesta quarta-feira, 4 de julho de 2012, abrindo a 10ª edição da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty.

“Há exatamente quatro anos eu fui convidado pela Flip para apresentar e entrevistar o dramaturgo inglês Tom Stoppard. Apesar do meu pavor de enfrentar o monstro, que é como eu chamo, carinhosamente, a plateia, qualquer plateia, me enchi de coragem, coloquei um Isordil preventivo embaixo da língua e subi no palco com o Tom Stoppard. E minhas primeiras palavras foram: “ É um grande prazer estar de volta aqui na CLIP”

Na hora, não me ocorreu nenhuma maneira de consertar meu erro. E vocês começam a entender por que fui o escolhido para fazer essa apresentação na décima Flip. Em primeiro lugar, queriam alguém que falasse pouco e não atrasasse a festa. Em segundo lugar, desconfio que quatro anos depois, a Flip quis, generosamente, me dar outra oportunidade de me redimir do vexame de ter trocado o F pelo C. Tive quatro anos para pensar numa explicação para minha gafe. Que, sem esta oportunidade, me perseguiria, inexplicada, até o túmulo.

E depois de pensar durante quatro anos decidi adotar uma máxima muito usada no futebol e por políticos  sob investigação, segundo a qual a melhor defesa é o ataque. Minha explicação para a gafe é que não foi uma gafe. Troquei o F pelo C conscientemente, confiando que a plateia entenderia minha sutileza. Quem errou foi a plateia, que não me entendeu.

Com o C eu quis dizer que o que acontece aqui em Paraty todos os anos é uma conspiração. Há dez anos Calder e cúmplices conspiram para nos deixar todos mais inteligentes. O que acontece aqui é um conluio de idéias, um convênio de cérebros, uma convergência de tipos e talentos, uma catarata de conceitos e cantares, um carrossel de criações e catarses e contestações e casos e catequeses.

Meu C também aludia ao fato de grande parte do charme e do brilho do evento acontecer nas mesas dos bares e restaurantes em Paraty. Também era um C de comilança, de convescote e de conversa noite a dentro.

O caráter internacional do evento resulta num vibrante embate de línguas mediado por intérpretes atarefados, em que no fim todos se entendem, ou se desentendem magnificamente.  Meu C também era de cacofonia, maravilha cacofonia.

E como quase tudo se passa sob essa grande tenda, onde vemos desfilar feras do pensamento, números de emocionante acrobacia intelectual e prestidigitação verbal, cuspidores de fotos e alguns palhaços no bom sentido, o C também era de circo.

Mas acima de tudo, o C que ninguém entendeu era de celebração  – um termo quase religioso para o que vem acontecendo em Paraty todos estes anos. Celebração do livro. Celebração da literatura, esse território livre onde o espírito humano se expande e se impõe. Um dos últimos livros do Stephen Greenblatt – que, aliás, é um dos convidados desse ano – se chama “Shakespeare’s Freedom” e começa com essa frase: “Shakespeare como escritor incorpora a liberdade humana.” Para Greenblatt Shakespeare é o maior exemplo na história do poder da linguagem de conjurar mundos, inventar universos e examinar e emular qualquer emoção humana. Mas todo escritor tem acesso a esse território em que a linguagem tudo pode e a imaginação não tem limites. Cada livro, cada frase, cada palavra e eu diria até cada vírgula e cada ponto é um exercício de liberdade, e isto também é o que se celebra em Paraty.

E aqui também se celebra a permanência do livro. Não duvido que em algum momento deste encontro surgirá uma pergunta sobre a iminente morte do livro, vítima dos novos tempos e da nova tecnologia. Na verdade, a morte do livro vem sendo preconizada há tempo, e nunca acontece. É uma das mais longas agonias de que se tem notícia. E mesmo que o livro esteja moribundo, podemos buscar consolo numa analogia que li há pouco tempo, feita por outro americano, o romancista e ensaísta John Barth. Para Barth a morte do livro se parece com a morte de certas personagens da ópera, que vão definhando por três atos até falecerem no fim, mas não sem antes encontrarem fôlego para uma última ária. E Barth lembra que geralmente a última ária é a mais bonita da ópera. É esse o nosso consolo: como as sopranos tísicas, a literatura ainda nos reserva uma ária final, de uma grandeza hoje inimaginável. E que em algum lugar do mundo alguém está escrevendo esse trágico e belo último ato.

Pronto. Não sei se cheguei a desagravar a minha gafe, mas pelo menos tentei. E tudo isso foi apenas um preâmbulo para dar boas-vindas a todos e dizer que é um grande prazer estar de volta aqui, inaugurando a décima edição da Clip. Ahn, da Flip!”

Últimos ajustes

05-07-2012

último desenho do designer Alexandre Benoit antes do início da Flip 2012!


%d blogueiros gostam disto: