Archive for maio \29\UTC 2013

Flip na TV

29-05-2013

Curador Miguel Conde comenta programação da Flip 2013 em entrevista no programa Metrópolis, da TV Cultura.

A FLIP tornou-me escritor

28-05-2013

Felipe Franco Munhoz recebeu, em 2010, a Bolsa Funarte de Criação Literária para escrever o romance Mentiras, inspirado na obra de Philip Roth. Em março deste ano foi convidado para participar de uma das comemorações do aniversário de 80 anos do escritor norte-americano, em Newark, EUA. Além de mediar uma mesa de debates, Munhoz leu trechos de seu romance, que assim como a obra de Roth, é constituído exclusivamente por diálogos entre personagens. Munhoz, que desde 2008 freqüenta a festa, conta como ela influenciou sua carreira literária.

Tom 2 - amarelinha

Tom Stoppard na Flip 2008

por Felipe Franco Munhoz

Recebi, em maio de 2008, um telefonema definitivo de minha prima Elisabeth. Eu cursava Comunicação Social no Paraná, havia acabado de completar dezoito anos e demonstrava crescente interesse por leituras em ficção e poesia. Desde a adolescência, fui conhecendo e descobrindo o cânone literário. Kafka, Joyce, Kundera. Aos poucos, aqueles autores reclusos, estranhos, tornavam-se meus heróis idolatrados.

Exatamente quando Beth Já ouviu falar sobre a FLIP?, em Paraty; então, você pode ficar hospedado lá na minha pousada.

“Seria fantástico.”

“Vão pessoas do mundo inteiro. Uma grande experiência.”

Chegando em Paraty, sozinho, caminhei da rodoviária à Pousada da Marquesa. Era noite, eu estava exausto da viagem, maravilhado com o centro histórico – igrejas e casas e pedras – e apaguei até a manhã seguinte. Até despertar ávido por conhecer a cidade, a livraria especial da festa e aguardar pela conferência de abertura: Roberto Schwarz discorreria sobre Machado de Assis.

No refeitório da pousada, para o café da manhã, havia um senhor – alto, solitário, elegante – escolhendo sua refeição. Ele apresentou-se, estendendo-me a mão, Hello, I’m Tom. No refeitório rústico, vazio, sentamos juntos e conversamos durante horas. “De onde você é, Tom?” “Londres.” “Primeira vez aqui no Brasil?” “É minha primeira vez na América do Sul.” Clima. Frutas tropicais.

Juntaram-se a nós mais dois casais estrangeiros. Ingo e Natalia, alemães; Cees e Simone, holandeses. Turistas do mundo inteiro, pensei; Inglaterra, Alemanha, Holanda – vieram de longe para assistir a debates entre escritores. Vieram atraídos por escritores!, magnífico! E prosseguimos o assunto matinal das menores trivialidades. Como é difícil andar nessas pedras. Viajo na segunda-feira. Caipirinha.

Em torno das onze, deixei a Marquesa a fim de comprar alguns livros – antes que se esgotassem. Alertaram-me: os livros desaparecem logo após suas respectivas mesas. Na livraria, localizada frente à Tenda do Telão, próxima à Praça da Matriz, arrematei um romance – O despenhadeiro – de Fernando Vallejo, uma peça – Rock’n’Roll – de Tom Stoppard e o jornal do dia. O Globo, se não me engano.

A capa do jornal apresentava uma fotografia do dramaturgo Tom Stoppard. Sir Tom Stoppard, tcheco de nacionalidade inglesa. Que tinha os mesmos olhos do meu novo amigo Tom, a mesma boca, o mesmo rosto de Tom, do mesmo Tom londrino do café da manhã. Eu não podia acreditar. Era o mesmo cavalheiro que nunca visitara a América do Sul e interessava-se por rodelas de abacaxi.

Além de Tom Stoppard, percebi também no Globo, eu fizera amizade com Ingo Schulze, Cees Nooteboom e suas esposas. Assumo a ignorância inicial – sem colocar a desculpa em meus dezoito anos – de não reconhecer os gênios no refeitório. De qualquer forma, seguiu-se uma semana ímpar; repleta de surpresas, descobertas, aprendizados.

Passou rápido.

Ingo Schulze avisou-me que regressaria para a Europa. Fiquei triste, abraçamo-nos e ele presenteou-me com seu livro de contos Celular: treze histórias à maneira antiga. No saguão da Marquesa, enquanto nos despedíamos, o contista alemão escreveu uma dedicatória indecifrável. Para Felipe, Con Valmti Ingo Schulze Paraty 03.07.08. Dois momentos decisivos, definitivos: o telefonema de minha prima Elisabeth; o presente de Ingo.

Eu produzia letras de música, em versos, desde que aprendi a tocar guitarra na adolescência. Consciente de que não conseguiria elaborar personagens como Gregor Samsa, Stephen Dedalus ou Capitu, personagens muito distantes de mim, jamais cogitava arriscar narrativas em prosa. Eu não presenciara a Primavera de Praga, tampouco sofrera metamorfoses. Faltava-me algo palpável.

Apenas ao ler Celular, de Ingo, percebi o quanto seus personagens eram Ingo, eram o homem que eu conhecera – ainda que travestidos com outros nomes e idiossincrasias. Apenas assim percebi o quanto Gregor Samsa está próximo de Franz Kafka. E o quanto a minha vida poderia estar próxima de um personagem ficcional, inventado. Eu poderia, sim, aproveitar minha experiência, mesmo que escassa, e arriscar a prosa.

Fiz um conto, Grão de arroz, sobre meu primeiro amor. E nunca mais parei. Passei a escrever todos os dias, sete, oito horas por dia; tenho a impressão de que será meu ofício até morrer. Diferentemente de Tom Stoppard, de quem continuo amigo, perdi o contato com Ingo Schulze. Não pude agradecê-lo pela imensa porta que Celular me abriu. Graças a qual me tornei escritor. Graças a Ingo, Tom, Cees, à minha prima Beth – mas, sobretudo, graças à FLIP.

A Festa do Divino sob o olhar dos jovens de Paraty

17-05-2013

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por Gabriela Valdanha

A Festa do Divino reúne todos os anos devotos e curiosos em Paraty no mês de maio. Neste ano, no entanto, nos dias 18 e 19 de maio ela atrairá também jovens da própria cidade que irão participar da oficina fotográfica Paraty, suas festas, sua gente, coordenada por Walter Craveiro e Lucia Caetano. Como o número de inscrições ultrapassou o esperado – as 20 vagas passaram a ser 54 – os fotógrafos Antonia Moura, Daniel Ferenczi e Matheus Augusto foram convidados para acompanhar os alunos. Desde a primeira edição da Flip, Craveiro clica os melhores momentos do evento e, segundo ele, o objetivo é que os adolescentes documentem a própria experiência dentro da festa.

Num primeiro momento os jovens se reunirão para uma rápida aula de noções teóricas, o que inclui conhecer os equipamentos. Dividida em grupos, a turma percorrerá pontos chaves da cidade praticando a técnica da street photo, que diz respeito tanto às imagens feitas em movimento quanto a abordagem de pedestres para fotos posadas. Os conceitos trabalhos por Craveiro são os da educomunicação: “queremos levar para os jovens o conhecimento técnico da linguagem fotográfica, para que eles desenvolvam um domínio critico das ferramentas e possam produzir e interferir na comunidade”, conta o fotógrafo.

Desde 2009 Walter Craveiro participa da ONG Instituto Asas e, em parceria com a jornalista Lucia Caetano, realiza oficinas para jovens em São Paulo. Ainda neste mês iniciarão um novo projeto em escolas públicas com adolescentes fotografando o universo escolar. Craveiro revela que deseja fazer o mesmo com os jovens em Paraty: “essa oficina é apenas um piloto”, conta o fotógrafo e completa: “queremos fazer encontros esparsos, ver o desenvolvimento e o envolvimento com a linguagem fotográfica deles para, no final do processo, escolher jovens para participar da Flip no nosso time de fotógrafos”.

Alguns jovens de Paraty são responsáveis pelo blog da FlipZona, mas a relação com a Flip ainda era distante. Craveiro pretende aproximar tais experiências, democratizar a linguagem fotográfica e permitir que os jovens atuem profissionalmente no futuro. Para Craveiro, esse é um grande passo para a festa: “são jovens formados dentro da Flip, que precisam ter um contato mais intenso com ela. Para mim também é uma novidade, já que o projeto envolve um grau de relacionamento maior com o evento.”

Sobre Walter Craveiro

Com graduação em história e jornalismo e especialização em fotografia e mídia, Walter Craveiro atua no mercado fotográfico editorial há mais de vinte anos. Colaborador especial de publicações voltadas ao turismo, como as revistas Próxima Viagem; Vacances; Viagem e Turismo; e Náutica, o fotógrafo produz extensas matérias sobre os principais destinos turísticos do planeta, tendo feito coberturas em locais como Ilhas Fiji, Dubai, Canadá, Caribe, Sul da França, Emirados Árabes, hotéis da Selva da Amazônica e Londres, esta última escolhida pela União Européia como uma das melhores fotorreportagens sobre os países do continente europeu em 2008. Como voluntário, desde 2009 ministra oficinas de fotografia para jovens pela ONG Instituto Asas. Atuou também como professor de técnicas digitais da Faculdade de Fotografia do Senac e do IED – Istituto Europeo di Design.

Sobre Lucia Caetano

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e Pós-Graduada em Comunicação Jornalística pela PUC-SP, Lucia Caetano tem se dedicado ao jornalismo voltado ao mercado de turismo desde 1990. Foi editora-chefe da revista Vacances, publicação pioneira no tratamento diferenciado à cobertura de destinos turísticos, com textos assinados por jornalistas, autores e viajantes renomados e fotos de altíssima qualidade, que lançaram um novo patamar de qualidade para as revistas de turismo brasileiras. Participou do projeto gráfico-editorial da revista Business Travel, dirigida às viagens de negócios. Atuou também como repórter especial em publicações da área, como a revista Próxima Viagem, em que faz reportagens sobre os destinos turísticos que visita. Como voluntária, desde 2009 coordena oficinas de Jornalismo para jovens carentes pela ONG Instituto Asas.


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