Mesa Millormaníacos | Jaguar desfia memórias íntimas de Millôr

Na companhia dos humoristas Hubert e Reinaldo, que se definem como “millormaníacos”, cartunista relembra passagens de uma antiga parceria

Reialdo, Jaguar e Hubert na mesa "Millormanícaos"/ Foto: Walter Craveiro

Reinaldo, Jaguar e Hubert na mesa “Millormanícaos”, nesta quarta-feira (30) / Foto: Walter Craveiro

A invenção do frescobol, a prisão dos jornalistas do Pasquim durante a ditadura, as brigas com Tarso de Castro e Chico Buarque. A história das memórias que o cartunista Jaguar mantém de seu amigo e colega de profissão Millôr Fernandes deram o tom da mesa de homenagem “Millormaníacos”. Jaguar respondeu a perguntas dos humoristas Hubert e Reinaldo, que começaram sua carreira no Pasquim, no final da década de 1970, antes de fundar seu próprio jornal humorístico, o Planeta Diário, um dos embriões do programa humorístico de televisão Casseta e Planeta.

“O Pasquim foi a nossa grande escola. A gente se exercitou e conviveu com gigantes como Jaguar, Ziraldo e outros. Tínhamos até uma salinha: Nas Coxas Produções Artísticas”, relembra Hubert. Em seguida, Jaguar relatou que conseguiu evitar assaltos aos colaboradores do Pasquim graças a seus esforços para instalar um orelhão na comunidade vizinha.

Jaguar leu também um trecho de um perfil seu escrito por Millôr há 45 anos, recheado de passagens bem humoradas. Só agora, tanto tempo depois, começo a me encaixar no que ele escreveu”, diz, antes de completar que, enquanto bebia, jamais esquecia nada, mas desde que parou de beber passou a ter “amnésia abstêmica”.

O cartunista desmentiu boatos de que Millôr teria escapado à prisão durante o regime militar graças a bons contatos. Na verdade, “no Brasil tudo é uma esculhambação, até a repressão”, que não tinha lugar no camburão já lotado quando saiu para prender o humorista, dando tempo para que ele escapasse. Já Jaguar, que tinha fugido, entregou-se e diz não se arrepender: foi um dos melhores momentos de sua vida, porque tinha tempo para ler Guerra e Paz, de Tolstói: “onde mais se encontra tempo para ler Guerra e Paz?”, explica.

(Diego Viana)

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