Mesa 1 | Poesia e prosa se costuram na Flip

Mesa com Charles Peixoto, Eliane Brum e Gregorio Duvivier discutiu possibilidades poéticas no humor, no jornalismo e na própria vida

Charles Peixoto, Eliane Brum e Gregorio Duvivier na Mesa "Poesia e Prosa", nesta quinta-feira (31)

Charles Peixoto, Eliane Brum e Gregorio Duvivier na Mesa “Poesia e Prosa”, nesta quinta-feira (31) / Foto: Walter Craveiro

Qual é o lugar da poesia e qual é o lugar da prosa?  O que faz um humorista ter graça mesmo depois que os anos passam? Evocando a importância da palavra para a reinvenção do mundo e do cotidiano, Charles Peixoto, Gregorio Duvivier e Eliane Brum sentaram juntos para uma rodada de leituras e debate na Tenda dos Autores.

Poeta e roteirista, Peixoto foi um dos nomes centrais da poesia marginal carioca nos anos 1970, mas passou 26 anos recolhido, sem publicar versos. “O trabalho que a gente fez foi muito escambalhado [sic] pelos críticos”, lembrou. “Havia antes uma alimentação muito grande entre nós:  todo mundo lia para todo mundo, todo mundo criticava para todo mundo. Quando foi cada um para um lado, isso se esvaneceu.”

Eliane, por sua vez, contou que sua infância foi árida, triste, e que a vida só ganharia sentido com a chegada dos livros.  “A infância é o lugar onde a gente reconhece os próprios monstros e os nomeia […] Foi a escrita que me deu um corpo com o qual eu podia viver.” Mais adiante, como repórter, descobriu que podia der voz a muitos “Brasis” e muitas maneiras de falar o português.  “Meu pacto com as pessoas é que eu vou contar a história delas para o mundo. Eu vou transformar o silêncio delas em narrativa.”

Finalmente, o ator, poeta e roteirista Gregorio Duvuvier refletiu sobre as particularidades do humor, celebrando o caráter atemporal de Chaplin e Buster Keaton e a “graça permeada de sentimento” do homenageado da Flip deste ano, Millôr Fernandes.

 “Acho que a ternura é um ingrediente fundamental. A gente não vai ver no ‘Porta dos Fundos’ nenhuma crítica nominal. Escrevi um texto para o Sarney do qual eu me arrependo. Embora ele mereça, ninguém merece”, disse, entusiasmando a plateia durante a leitura de alguns de seus textos especialmente bem-humorados.

(Gabriela Longman)

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