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Tradutores e escritores que participaram de oficina de tradução discutem o desafio “fascinante e cruel” de transitar entre línguas

Daniel Hahn, José Luiz Passos, Sam Byers e Paulo Henriques Britto discutem os desafios da tradução em mesa da FlipMais nesta quinta-feira (31)

Daniel Hahn, José Luiz Passos, Sam Byers e Paulo Henriques Britto discutem os desafios da tradução em mesa da FlipMais nesta quinta-feira (31) / Foto: André Conti

Antes da Flip, Paraty foi palco de um exercício intensivo de tradução entre o inglês e o português. Na FlipMais, os dois autores traduzidos – o brasileiro José Luiz Passos e o inglês Sam Byers – contaram como foi a experiência de ver seus textos transformados bem à sua frente, em debate com o tradutor inglês Daniel Hahn e o brasileiro Paulo Henriques Britto. Segundo Passos, esse foi um momento “fascinante e cruel”.

A definição de tradução foi dada por Henriques Britto: “é produzir um pastiche tão bom de uma obra que o leitor possa dizer que, de fato, leu uma obra que, na realidade, ele não leu, porque foi escrita em língua que ele não conhece”. O tradutor e poeta ilustra sua definição com seu gosto pessoal pelo autor austríaco Franz Kafka, seu favorito. “Discuto Kafka com diversos especialistas, muito embora nunca tenha lido Kafka, porque não sei alemão”, conclui.

Resta a questão da relação que um autor deve manter com seu tradutor: deixá-lo trabalhar livremente ou revisar o tempo todo as traduções? À parte os idiomas tão diferentes que o autor não tem como controlar o que ocorre, diz Byers, é preciso deixar liberdade para o tradutor trabalhar. “Como o texto tem uma vida própria, uma vez que ele está pronto, você pode achar que sabe o que ele quer dizer, mas não é bem assim”, explica.

Hahn comenta que o tradutor vive incógnito por trás dos autores, tanto no Brasil quanto no Reino Unido. “Estou certo que a maioria das pessoas nesta sala já leu muitos livros de Paulo Henriques Britto, mesmo sem saber”, afirma. Apesar disso, diz Passos, ganhador do prêmio Portugal Telecom em 2013 pelo livro O Sonâmbulo Amador (Alfaguara), “a leitura que um tradutor faz é a que mais honra o escritor. Ele busca algo que está no original e ainda não existe, mas, ao existir, faz com que a obra exista em mais de um texto, como numa multiplicação dos pães”.

(Diego Viana)

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