Mesa 14 | Repensar para sobreviver

Acompanhado de Beto Ricardo, Viveiros de Castro aventa possibilidade de que ser índio seja nosso futuro, não nosso passado

Viveiros de Castro e Beto Ricardo discutem questão indígena em mesa neste sábado (2) / Foto: Walter Craveiro

Viveiros de Castro e Beto Ricardo discutem questão indígena em mesa neste sábado (2) / Foto: Walter Craveiro

Vistos por boa parte dos brasileiros como “estrangeiros nativos,” os povos indígenas em toda sua diversidade e complexidade foram o tema do encontro entre os antropólogos Eduardo Viveiros de Castro e Beto Ricardo. Quando a noite já caía sobre a Tenda dos Autores, os dois mencionaram a campanha cada vez mais explícita para “solapar, retirar, diminuir, anular” os direitos que os índios receberam na constituição de 1988 em prol da expansão do agronegócio e de indústrias pesadas como a do alumínio.

Pessimista assumido, Viveiros de Castro mencionou os riscos que a civilização tal qual vivemos hoje tem de entrar em colapso dentro de poucos anos, no que seria uma verdadeira crise planetária. “Do jeito que as coisas vão, é possível que nós, os brancos, os europeus, acabemos por ser extintos antes dos índios”, prognosticou. “Teremos que aprender a viver num mundo diferente do que nossos pais viveram, do que o os governantes nos prometeram e daquele que estamos produzindo”.

Se isso acontecer, continuou o antropólogo, talvez venha justamente dos índios um modelo sobre como se relacionar com a vida. “O mundo deles acabou há cinco séculos e eles estão aí, sobrevivendo, criando, inventando novas formas de expressão”, disse, aventando a possibilidade de que ser índio seja nosso futuro e não nosso passado. “Eles poderão nos ensinar como é possível ser feliz sem cartão de crédito, TV de plasma, computador. Sem essa civilização cuja existência depende da destruição de tudo a sua volta.”

Beto Ricardo apresentou imagens e gráficos sobre as inúmeras etnias e línguas existentes no país e mencionou a sobrevivência, ainda hoje, do discurso da ditadura sobre o “vazio demográfico” da região Amazônica. “Quantos nomes de etnias sabemos citar de cabeça?”, perguntou. “A imprensa sabe muito poucos. Sempre tem os mesmos índios de plantão com quem falam.”

Um dos principais oponentes da construção da hidroelétrica de Belo Monte, disse que, na impossibilidade de barrá-la, trabalha agora tentando garantir que as condicionantes sócio-ambientais impostas sejam cumpridas – o que não é nem de longe evidente.

(Gabriela Longman) 

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