Mesa 9 | Da doença à identidade

Jornalista americano Andrew Solomon relata a vida de pessoas que superam dificuldades e têm vidas felizes

Andrew Solomon em mesa da Flip nesta sexta-feira (1) / Foto: Walter Craveiro

Andrew Solomon em mesa da Flip nesta sexta-feira (1) / Foto: Walter Craveiro

A mesma condição de uma pessoa pode ser considerada tanto uma doença quanto uma identidade, segundo o jornalista e psicólogo americano Andrew Solomon. “Quando queremos falar negativamente de algo, dizemos doença. Quando queremos falar positivamente, é identidade”, afirma. Solomon é autor de Longe da Árvore (Companhia das Letras), obra monumental sobre pessoas que vivem em condições consideradas marginais ou excepcionais: surdos, transgêneros, frutos de estupros, crianças-prodígio, esquizofrênicos e outros.

O título do livro é uma referência ao provérbio segundo o qual os frutos caem perto da árvore, isto é: os filhos são parecidos com os pais. Muitas vezes, porém, a hereditariedade não ocorre como previsto; Solomon distingue entre identidades verticais (que se transmitem entre as gerações, como etnia e nacionalidade), e outras que surgem de uma geração para outra, por causas biológicas (como a surdez) ou sociais (como a geração de uma criança após um estupro).

Todas essas condições podem ser alternativamente tratadas como doença ou identidade. Solomon mergulhou no universo da “cultura surda” americana e relata que chegou a ter o desejo de ser surdo também – não no sentido não ouvir, mas de fazer parte desta cultura. Homossexual, o autor recorda que, em sua juventude, mesmo os gays consideravam-se doentes de alguma maneira, mas atualmente está amplamente disseminada na sociedade a noção de que se trata de uma identidade perfeitamente válida.

O jornalista levou ao palco da Flip o filho que teve com o marido, graças a uma doação de óvulo e à barriga de aluguel de uma mulher que, também homossexual, tem dois filhos cujo pai biológico é o mesmo marido de Solomon. “Tendo crescido numa família que lutou muito para me aceitar como gay, pensei sempre, ao escrever o livro, que existe uma diferença enorme entre amor e aceitação”, afirmou.

O livro que tornou Solomon conhecido no Brasil, O Demônio do Meio-Dia (Objetiva), era um profundo estudo sobre a depressão, com entrevistas, dados médicos e reflexões históricas. O autor se dedicou ao tema após sair de uma longa luta para vencer sua própria depressão. Lembrando que Hipócrates, pai da medicina na antiguidade grega, descreveu condições muito semelhantes à depressão contemporânea, ele afirma que não se trata de “uma doença moderna, mas a modernidade tem muitos aspectos que levam à depressão. O principal deles é a ansiedade”.

(Diego Viana)

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