Mesa 11 | Na luta contra os grandes poderes

Glenn Greenwald e Charles Ferguson, que revelaram as entranhas de um sistema político corrompido nos EUA, discutem o poder do jornalismo.

Glenn Greenwald, autor das reportagens que revelaram o escândalo da espionagem americana, na mesa que abriu o sábado (2) na Flip / Foto: Walter Craveiro

Glenn Greenwald, autor das reportagens que revelaram o escândalo da espionagem americana, na mesa que abriu o sábado (2) na Flip / Foto: Walter Craveiro

Diante de abusos sistemáticos de poder e reações mornas de uma mídia associada aos poderosos, ainda existe um jornalismo que é ferramenta de combate para os cidadãos. Dois representantes desse combate debateram suas obras na Tenda dos Autores: os americanos Glenn Greenwald, autor das reportagens que revelaram o escândalo da espionagem americana, e Charles Ferguson, autor do documentário Trabalho Interno, sobre a crise financeira de 2008, premiado com o Oscar de Melhor Documentário em 2011.

Ambos os convidados se mostraram surpresos com a falta de reação na sociedade contra as fraudes que causaram o colapso econômico e a atuação ilegal do poder público nos EUA. Praticamente não houve condenações criminais aos envolvidos e, no caso do mercado financeiro, as multas impostas a bancos foram irrisórias, na opinião de Ferguson.

Greenwald comentou também os ataques que vem sofrendo de representantes do governo e da mídia nos EUA e na Inglaterra, onde seu companheiro David Miranda ficou detido por 11 horas no ano passado, apenas para pressioná-lo, segundo o jornalista americano. Miranda é brasileiro e vive com Greenwald há 10 anos no Rio de Janeiro. Neste ano, Greenwald publicou
o livro Sem lugar para se esconder (Sextante) e fundou o site The Intercept. Edward Snowden, que entregou os documentos secretos da agência de segurança dos EUA (NSA), vive em Moscou graças a um asilo temporário.

Depois do sucesso de Trabalho Interno, Ferguson foi convidado para fazer um documentário sobre Hilary Clinton, cotada para ser a candidata do Partido Democrata para as eleições presidenciais americanas de 2016. Mas teve de desistir. “Não tem nada que me dê mais prazer do que descobrir que alguém não quer que eu descubra alguma coisa”, afirmou. “Geralmente consigo, mas a grande exceção foi a família Clinton. Então vi que não seria o filme que eu queria fazer.”

Ferguson prepara agora um filme sobre sustentabilidade e mudanças climáticas. O que mais o surpreende a esse respeito, disse, é que o problema seria de fácil solução, se quiséssemos realmente solucioná-lo. Haverá filmagens no Brasil no próximo ano, e ele afirma: “este é um dos lugares mais lindos do mundo. Por favor, não deixem que seja destruído!”

(Diego Viana)

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