Mesa 16 | Terra estrangeira

Jhumpa Lahiri fala da condição de estrangeira, central em sua obra, e de seus percursos geográficos e linguísticos

Jhumpa Lahiri em mesa literária deste sábado (2) / Foto: Walter Craveiro

Jhumpa Lahiri em mesa literária deste sábado (2) / Foto: Walter Craveiro

Transitando entre três línguas, Jhumpa Lahiri não se sente parte de nenhuma. Há o bengali, língua de seus pais e da qual se aproximou ainda mais para conhecer a história do movimento naxalista (grupo de militantes comunistas da Índia) que permeia seu ultimo livro, Aguapés (Globo Livros), lançado durante a Flip. Há o inglês de Londres, onde nasceu, e de Rhode Island (EUA) onde foi criada. E há, finalmente, o italiano, língua que aprendeu já adulta e que adotou de maneira apaixonada – tanto que mudou-se para Roma há dois anos.

“Sou uma escritora sem uma língua de verdade […] Há uma sensação de sobrevivência na minha escrita em italiano, é como se eu estivesse acampando, a precariedade de uma mochila. Minha escrita em inglês é uma casa mais certinha com todos os móveis no lugar”, disse ao público que lotou a Tenda dos Autores.

Vencedora do Prêmio Pulitzer com a coletânea Intérprete de males (Globo Livros), Jhumpa diz ter uma certa intuição sobre o que serve para um conto e o que serve para um livro de mais fôlego. Romance na acepção forte da palavra, Aguapés recupera a Calcutá do final dos anos 1960 por meio da relação entre dois irmãos.

“É o livro menos pessoal de todos os meus livros. Nunca morei na Índia e não vivi aquela época. Fui à Índia como visitante que não pertence àquele pais mas que não deixa de pertencer.” Para a construção dos personagens, ela conta ter passado anos entre livros, filmes e conversas com indianos que viveram o período. “Meus pais têm um circulo de amigos Bengali bem grande. Comecei a fazer perguntas a pessoas que viveram em Calcutá nos anos 1960. Se tinham medo, se tinha alguém que fazia parte do movimento.”

Para o próximo livro, antecipa, o plano é tentar uma escrita mais abstrata, em que a localização tenha um papel menos importante; países não identificados, como em Fernando Pessoa ou Luigi Pirandello. “Acho que meu trabalho está caminhando cada vez mais nessa direção.“

(Gabriela Longman)

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