Mesa 16 | Jornalismo e poder

Discussões sobre os problemas e possibilidades atuais do jornalismo encerraram a noite de sábado na Tenda dos Autores

Os jornalistas David Carr e Graciela Mochkofsky na última mesa de sábado (2) na Flip / Foto: Walter Craveiro

Os jornalistas David Carr e Graciela Mochkofsky na última mesa de sábado (2) na Flip / Foto: Walter Craveiro

Ao ir atrás de seu passado como viciado em drogas, David Carr esbarrou em novas formas de se fazer jornalismo. Consultou boletins de ocorrência e laudos médicos sobre si próprio como se estivesse em busca de um desconhecido. “Você vai conversar com uma mulher com quem se relacionou 20 anos antes. Você achava que tinha namorado com ela, mas descobre que na verdade a havia torturado.”

Pai solteiro de gêmeas, reinventou-se ao produzir o livro “A noite da Arma”, reportagem auto-investigativa, quase arqueológica. “Gay Talese nos ensinou que a gente deve sair do prédio, encontrar pessoas mais interessantes que nós. Você não pode ficar ali no twitter, na internet, contar uma historinha e chamar isso de jornalismo”, disse.

Enquanto isso, na Argentina, Graciela Mochkofsky desencantou-se com a vida que encontrou trabalhando nos veículos de mídia tradicional. “Quando comecei a ser jornalista em 1991 minha vida estava planejada. Eu seria a principal colunista política de meu país. Quando cheguei aos 30, vi que as coisas eram diferentes do que eu havia imaginado.” Aos poucos, distanciou-se dos veículos e encontrou na produção de livros-reportagem a maneira de contar histórias que lhe interessavam.  Em Pecado Original, por exemplo, aprofundou-se no embate entre o casal Kirchner e o grupo Clarín.

“O que aconteceu na Argentina nesses 10 anos foi uma polarização da mídia dividida em contra e a favor do governo, mas não havia nada no meio. O que todo mundo queria era tomar partido de um lado ou de outro”, apontou. “De modo geral, faltou honestidade, profissionalismo e rigor. Se desenvolveu um cinismo de que a verdade é inalcançável. Não é fácil encontrar gente com ambição de contar uma história completa.”

(Gabriela Longman)

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