Mesa 19 | Os mil nomes da paixão

O chileno Jorge Edwards e o português Almeida Faria falam de paixão e política em suas obras

O escritor chileno Jorge Edwards na mesa "Os sentidos da paixão" neste domingo (3) / Foto: Walter Craveiro

O escritor chileno Jorge Edwards na mesa “Os sentidos da paixão” neste domingo (3) / Foto: Walter Craveiro

Política, literária e erótica são diferentes dimensões da paixão que se entrecruzam constantemente na obra de grandes escritores. “São infinitas as possibilidades de manifestação das paixões”, resume o mediador da mesa Os sentidos da paixão, em que o chileno Jorge Edwards, diplomata e autor de A origem do mundo (Cosac Naify), e o português Almeida Faria, que publicou o cultuado A paixão (Cosac Naify) durante a ditadura de António de Oliveira Salazar, compartilharam suas literaturas e paixões.

O profundo desejo de escapar das entranhas da burocracia, quando era representante chileno na Unesco, foi o grande motivador de Edwards para escrever A Origem do Mundo: como os discursos protocolares começam com agradecimentos a autoridades, ele sentia que estava se tornando especialista no “estilo congratulatório”. Por isso, “quis fazer algo que fosse o exato oposto do meu trabalho”.

A relação com a política também está na origem de A Paixão, livro composto sob a longa ditadura salazarista, conta Faria. Estudante de direito, fingia anotar as aulas, mas na realidade criava os personagens de seu livro. O título joga com o fato de que a sexta-feira da Paixão também é conhecida como a sexta-feira das trevas em Portugal, o que lhe permitia “dizer minha raiva sem mencionar diretamente a política”.

Para escrever sobre o amor, Faria buscou soluções na Comédia de Dante, já que “é muito difícil falar dos prazeres do corpo sem cair na banalidade, com adjetivos kitsch, nem na pornografia”, como explicou. Dante consegue isso em dois versos do Canto V do “Inferno”, que foram lidos na mesa pelo autor português.

Edwards relatou a história de sua profunda amizade com o cronista brasileiro Rubem Braga, que foi representante comercial no Chile. A possibilidade de importar por vias diplomáticas um uísque de boa qualidade colocou o brasileiro em contato não apenas com Edwards, mas com toda a intelectualidade chilena, a começar pelo poeta Pablo Neruda. Daí por diante, as visitas para o Brasil se tornaram uma constante na vida de Edwards. “Vou escrever minhas memórias em breve e acho que nelas vai ter muita coisa brasileira”, adiantou.

(Diego Viana)

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