A cidade ideal e a cidade possível

Antonio Risério e Eucanaã Ferraz se encontram na mesa de arquitetura da Flip

Antonio Risério e Eucanaã Ferraz se encontram na mesa de arquitetura da Flip (foto de Walter Craveiro)

A ideia de ultrapassar os limites dos guetos e das clausuras nos grandes centros urbanos norteou a fala do antropólogo, poeta e ensaísta Antonio Risério, que abriu a mesa “A cidade e o território”, da qual também participou o escritor Eucanaã Ferraz. O encontro iniciou o segundo dia de Flip e colocou a arquitetura em pauta.

Ao falar sobre a maneira como a expansão urbana, a estratificação econômica e a desigualdade afastou as pessoas e cindiu as cidades, Risério defendeu a organização como única forma de não “nos encalacrarmos de vez”. Para ele, esse cenário social torna difícil a ideia de compartilhar uma identidade urbana. Na sequência, Risério arrancou aplausos ao destacar: “A cidade ideal agora é a cidade necessária, é a que tenha menos gases de efeito estufa, que lide melhor com as áreas urbanas e as fontes energéticas limpas. A gente perdeu a opção de ficar sonhando com cidades ideais como os arquitetos modernistas”.

“Poeta-arquiteto”, na definição do mediador João Bandeira, Eucanaã Ferraz recorreu a Oswald de Andrade, o “grande companheiro de viagem” de Mário de Andrade, autor homenageado nesta edição da Flip, para tratar da maneira como poetas retrataram e ainda retratam a experiência urbana e o efeito dela na civilização. Declamou Bonde, poema no qual Oswald demonstra a desconfiança e o desconforto em relação à cidade. Mencionou ainda Drummond, que em Explicação expressa a inquietação e a relação de amor e ódio de quem vive na cidade (“no elevador penso na roça, na roça penso no elevador”).

O autor homenageado voltou à fala do poeta convidado, que lembrou o poema Rua de São Bento, de Mário de Andrade. Segundo Ferraz, há ali a metáfora do canto da sereia, da cidade que, à semelhança da sereia, canta e seduz com uma promessa de amor que pode se traduzir em desgraça e morte. “Sabe que o canto da cidade é extraordinário e cheio de possibilidade, mas lhe ameaça com uma espécie de dissolução mortal”, disse Ferraz.

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