Literatura e políticas públicas dão o tom da mesa Zé Kleber

A mesa Zé Kleber -- intitulada "Falando alemão" -- trouxe à Flip autores do Laboratório Setor X, do Rio de Janeiro

A mesa Zé Kleber, intitulada “Falando alemão”, trouxe à Flip autores revelados em oficinas no Complexo do Alemão (foto de Walter Craveiro)

Desde 2009, a Flip promove um evento dedicado exclusivamente a debater a cidade e suas políticas públicas, batizado de mesa Zé Kleber em homenagem ao poeta, músico e ativista paratiense. Procurando relativizar as distinções entre centro e periferia, o encontro deste ano —  intitulado  “Falando alemão” — reuniu três autores que passaram pelo Laboratório Setor X, que conta com oficinas de poesia, fotografia e edição no Complexo do Alemão, na Rocinha e em Manguinhos, no Rio de Janeiro.

Com mediação do poeta e professor do projeto Carlito Azevedo, os autores Geovani Martins, Deocleciano Moura Faião e Katjusch Hœ contaram suas experiências dentro do laboratório e leram textos que produziram recentemente. Uma revista com trabalhos feitos durante o Setor X está sendo lançada na Flip, revelando autores que percorrem temáticas e registros de linguagem variados.

“Minha cabeça é meio fora da caixinha. Eu sei que em algum momento da minha vida eu vou ter que controlar palavrões, mostrar menos minhas opções íntimas, me adaptar a padrões. Mas, por enquanto, não”, salientou Deocleciano Martins, que leu um poema de sua autoria em homenagem a Ogum.

“A gente tem a intensão de continuar no projeto enquanto ele existir”, diz Geovani Martins, que também leu seu texto – um poema sobre a vida e morte de um rojão – e contou que os três pretendem agora reunir-se para realizar um livro conjunto.

Alemã vivendo no Rio de Janeiro desde 2013, Katjusch Hœ passou a coletar frases que ouvia pelas ruas – no ônibus, no bar – e assim começou a escrever. O texto resultante dessa técnica “não fala sobre Rio de Janeiro mas faz o Rio falar”, nas palavras de Azevedo.

“O que mais me impressionou nesse projeto foi inverter a noção de periferia. Quando você chega na Rocinha, no Alemão, em Manguinhos, você chega no centro. A cultura está lá borbulhando”, completou Anna Dantas, coordenadora da iniciativa, chamada ao palco para encerrar o encontro.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: