A condição humana pelo viés da ciência

Ilusões da mente e da alma em foco na mesa 8 da programação principal (foto de Walter Craveiro)

Ilusões da mente e da alma em foco na mesa 8 da programação principal (foto de Walter Craveiro)

Primeira mesa sobre ciência desta edição da Flip, “As ilusões da mente” reuniu hoje na Tenda dos Autores o economista e filósofo Eduardo Giannetti e o neurocientista Sidarta Ribeiro, numa conversa animada e vigorosa sobre as descobertas recentes no campo da neurociência. O encontro foi mediado pelo jornalista Bernardo Esteves.

Para Sidarta Ribeiro, estamos a caminho de entender o que é a consciência e como ela funciona, da mesma maneira como hoje sabemos exatamente como se dá a função hepática ou cardíaca no corpo humano. “Todo o avanço da neurociência, principalmente a partir do momento em que surgiram técnicas de visualização do cérebro em tempo real, está nos mostrando que o fisicalismo é um negócio que não pode ser descartado”, disse Gianetti, autor de A Ilusão da alma: biografia de uma ideia fixa. No livro, o narrador defende o “fisicalismo”, teoria segundo a qual o comportamento mental seria resultado do funcionamento químico do cérebro.

Segundo os convidados da mesa, estudos sobre neurociência têm mostrado que até as ações mais simples não derivam simplesmente de um comando cerebral. “É o cérebro que está gerando – enquanto faz o trabalho de erguer o dedo – também a sensação de que é minha vontade fazer isso”, explica Giannetti. Assim, a vontade consciente seria supérflua. “É uma hipótese espantosa, assombrosa. Porque se isso for verdade, nós estamos radicalmente enganados sobre o que se passa conosco.”

Para o filósofo, todos os avanços neste campo não significam, necessariamente, o caminho para a diluição de nossas dúvidas sobre a vida. “O mistério da condição humana só se agrava. A ciência realmente machuca a autoestima humana.”

Participando pela primeira vez da Flip, Giannetti comentou também sobre os paradoxos da ciência e sobre o fato de os avanços em algumas áreas não terem sido acompanhados pelo melhoramento ético e moral do homem. “A exploração e o controle das forças da natureza resultou num descontrole tremendo; entre eles, a mudança climática”, disse. “Estamos em meio a uma grave crise civilizatória. O que nós, brasileiros, temos a dizer sobre esta crise? Os intérpretes do Brasil estão sempre olhando para trás, retrospectivamente. Será que não está na hora de olhar para frente e pensar o que podemos ser, o que queremos ser?”, concluiu.

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