Arte e luto como elementos da prosa

Colm Tóibín lê trecho de seu recém-lançado romance, "Nora Webster" (foto de Walter Craveiro)

Colm Tóibín leu trecho de seu recém-lançado romance, “Nora Webster” (foto de Walter Craveiro)

“Ser irlandês e escrever poesia é um problema. Não temos Hollywood, não temos Wall Street, mas temos poetas. Se você é um mau poeta, as pessoas o desprezam.” O veredito veio do convidado da mesa “Encontro com Colm Tóibín”, que deixou a poesia de lado e se tornou um romancista de fôlego.

De volta à Flip depois de uma década – Tóibín havia participado da festa em 2004 –, o autor de O Testamento de Maria leu um trecho de seu novo romance, Nora Webster, e traçou considerações sobre a poeta Elizabeth Bishop. Mencionou ainda o processo em torno do referendo sobre a legalização do casamento gay na Irlanda, realizado em maio.

Nora Webster constrói-se em torno de uma personagem feminina que perde o marido na Irlanda dos anos 1960. “Meu problema é que uma parte do material era tão pessoal, sobre o que aconteceu comigo e com minha mãe depois de que meu pai morreu. Era muito próximo da vida real e não tinha o que a ficção precisa: um arco. Levei quatorze anos para conseguir desenvolver isso”, disse o autor, acrescentando que Nora Webster é muito sobre o luto e sobre como ele afeta as pessoas em volta. “Os outros subitamente parecem no direito de dizer o que fazer e como viver a vida.” Ao fazer de uma mulher numa cidade pequena da Irlanda o centro da tensão, Tóibín diz ter pensado nos retratos de Vermeer ou Rembrandt numa cozinha comum, que “são pintadas de tal maneira que você parece conhecer aquelas pessoas”.

Falando de sua rotina como escritor, garantiu que usa uma cadeira dura de madeira para a labuta e aconselhou seus pares a fugir do conforto, de muita comida. “Escrever olhando por uma janela bonita pode ajudar a sua alma, mas não vai ajudar a sua prosa”. Entre lembranças sobre o Rio de Janeiro (“o fascínio com a beleza”) recordou ainda a montagem teatral de Macunaíma que assistiu na Irlanda, no início da década de 1980. “Os atores estavam quase nus, muito bonitos. Foi um choque em Dublin.”

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