Caldeirão cultural agita noite da Flip

Jorge Mautner e Marcelino Freire num encontro memorável (foto de Walter Craveiro)

Jorge Mautner e Marcelino Freire num encontro memorável (foto de Walter Craveiro)

Duas falas contundentes sobre Brasil, neurociência, literatura como grito, numa mistura de tudo: Jorge Mautner e Marcelino Freire encerraram o segundo dia de Flip na Tenda dos Autores num encontro memorável. Arrancando aplausos da plateia, o músico de “Maracatu Atômico” e o escritor idealizador do festival Balada Literária foram “Do angu ao Kaos” — título da mesa.

De um texto inédito de Mautner homenageando Maria Bethania a um conto de Marcelino condenando a falsidade e as ditas boas intenções da paz, os dois autores transitaram por terrenos íngremes: política, religião e música — um caldeirão cultural que ecoa Mário de Andrade.

“Eu costumo dizer que escrevo para me vingar”, praguejou Marcelino. “Eu escrevo movido pelo vexame, pela não conformação.” A redução da maioridade penal, o coronelismo, a democracia, o candomblé iam e vinham numa conversa que costurou histórias dos mais variados tons. Filho de judeus que fugiram do Holocausto, Mautner encontrou Marcelino, filho de sertanejos de Pernambuco.

“É assim: quem que costurar aqui, tem que costurar ali senão explode. A harmonia é feita de dissonâncias”, disse Mautner, que aproveitou para tecer um elogio ao país: “O mundo não bebe agua, não come, não respira sem o Brasil. Nós temos nióbio, água, tudo tudo tudo. Os nossos problemas são artificiais”.

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