A matemática como elemento de magia

Em conversa mediada por Bernardo Esteves,  Artur Ávila e Edward Frenkel defenderam o encanto da matemática numa troca divertida (foto de Walter Craveiro)

Em conversa mediada por Bernardo Esteves, Artur Ávila e Edward Frenkel defenderam o encanto da matemática numa troca divertida (foto de Walter Craveiro)

Reunidos sob o título “Os homens que calculavam”, dois matemáticos premiados – o brasileiro Artur Ávila e o russo Edward Frenkel  – encontraram-se na Tenda dos Autores dispostos a vencer a resistência do público em torno da disciplina a que se dedicam. A conversa começou com uma crítica contundente ao tipo de matemática que se aprende na escola.

 “É como se na aula de arte você não aprendesse sobre História ou os grandes mestres da pintura, mas sim a pintar paredes, e saísse de lá achando que arte é isso”, comparou Frenkel. “Quantos de vocês se dão conta de que toda a matemática que estudamos na escola tem mais de dois mil anos? Imaginem a mesma situação nas aulas de ciência, de História, de literatura. Imaginem que estivéssemos lendo só Homero. Muitas coisas aconteceram desde a geometria euclidiana.”

Vencedor da Medalha Fields – equivalente ao Nobel da Matemática –, Ávila contou do dia a dia de seu trabalho, lembrando que boas ideias surgem nas circunstâncias mais variadas. “Às vezes o lugar onde você menos trabalha é o escritório. Eu saio para caminhar, muitas vezes na praia. Às vezes deitado na cama, quase dormindo, é possível ativar certas conexões, pensar em coisas que você havia deixado para trás”, relatou o pesquisador, que aos 26 anos solucionou um problema conhecido como “Conjectura dos dez martinis”.

Temas como aplicabilidade das pesquisas e conexão entre a matemática e outros campos do conhecimento surgiram durante a mesa. Em mais de uma circunstância, Frenkel – autor de Amor e matemática – frisou o papel da inspiração, da criatividade e do insight no ofício do matemático. “No mundo de hoje, a gente gosta de racionalizar tudo, calcular, controlar, planejar tudo. Isso só nos torna mais ansiosos. A sabedoria é abrir mão do controle e seguir o ritmo das coisas. A descoberta matemática tem um elemento de mistério, de magia”, concluiu o pesquisador, reforçando que “a vida é muito mais que qualquer algorítmico, qualquer fórmula”.

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