FlipMais | Poesia e teatro marcam segundo dia

O ator Otávio Fantinanto, da Cia do Relativo, em cena do espetáculo

O ator Otávio Fantinanto, da Cia do Relativo, em cena do espetáculo “O descotidiano”, parte da programação da FlipMais (foto de André Conti)

Com uma programação que percorreu teatro, poesia, audiovisual e educação, a sexta-feira da FlipMais movimentou os ânimos do público no auditório da Casa da Cultura.

No primeiro debate do dia, três mulheres engajadas em práticas de mediação de leitura e suas políticas reuniram-se para uma conversa sobre formação de educadores e incentivo ao exercício de ler. “Meu filho era um grande leitor e a escola quase estragou isso. O professor deveria ser muito mais um curador, dar um leque de opções de escolha em gêneros distintos, em vez de definir uma obra que deve se lida por todo um conjunto de alunos que têm uma multiplicidade de experiências e de culturas distintas”, defendeu a especialista em políticas de comunicação, arte e cultura Marta Porto, que esteve ao lado da educadora Rona Haning e da psicóloga Vera Schroeder.

Em episódio da série “Poesia em Movimento”, o poeta Eucanaã Ferraz conversou com Adriana Calcanhoto sobre João Cabral de Melo Neto: “Eu gosto muito dessa poesia que tem uma arquitetura mais densa e sobretudo mais tensa”. Destacou a obra de Drummond — que “cria certas estruturas e, quando você já se habitou com a estrutura, ele o surpreende” — e relembrou os telefonemas que Waly Salomão lhe dava às sete da manhã. “Não só lia o poema como pedia opinião.” Depois da exibição do episódio, Eucanaã continuou as reflexões em debate mediado pelo editor Flavio Moura.

Um pintor de São Paulo começa a fazer desenhos que revelam o futuro – este foi o argumento que serviu como ponto de partida de “A vida começa…”, série dirigida por Tatiana Lohmann e exibida dentro do projeto “Noites de Cinema”.

A noite terminou com o ator Otávio Fantinato aplaudido de pé sob os gritos de “bravo!”. Conjugando técnicas de dança e circo, especialmente malabarismo, o espetáculo “O Descotidiano“ deixou crianças e adultos atônitos com a mistura de lirismo e humor. Após a apresentação, os integrantes da Cia do Relativo ainda conversaram com o público sobre processo de criação. “Eu quis trazer alguns dilemas pessoais: cada cena, cada número tem a representação de um dilema pessoal meu, uma questão que eu quero trabalhar. Eu costumo dizer que o espetáculo é meu analista”, contou Fantinato.

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