Relatos de viagem em pauta

Beatriz Sarlo e Alexandra Lucas Coelho abriram seus diários de viagem na Flip (foto de Walter Craveiro)

Beatriz Sarlo e Alexandra Lucas Coelho abriram seus diários de viagem na Flip (foto de Walter Craveiro)

Nos anos 1960, a crítica literária Beatriz Sarlo deixou a Argentina disposta a conhecer Brasília, capital do país que “era a meca estética do modernismo”. “Só queria ver Brasília. Não olhei o Rio, nada. Estar em Brasília aos vinte anos de idade me marcou. Eu me transformei em modernista, uma doença da qual nunca fiquei curada”, disse. Ela e a jornalista portuguesa Alexandra Lucas Coelho participaram hoje da mesa “Turistas aprendizes” — alusão à obra de Mário de Andrade O turista aprendiz.

Se existe preparação para uma viagem, Beatriz acredita que ela já tenha sido feita pelos viajantes que nos antecederam, os imigrantes que boa parte dos latino-americanos carrega no DNA familiar. “Fomos preparados pelas viagens de outros. Somos produtos delas”, disse a crítica literária, que leu trechos de seu último livro, Viagens: da Amazônia às Malvinas, no qual rememora as experiências dos anos 1960.

Autora de uma série de diários de viagem, entre eles Vai, Brasil, Alexandra Lucas Coelho contou como, por meio de um “convívio íntimo com autores e músicos brasileiros”, o Brasil se envolveu com sua própria formação cultural. Na sequência, falou da sua necessidade de “dar a volta ao mundo para chegar ao Brasil”, quando o tema se voltou para relações colonialistas. “Descobri antes o colonialismo dos outros — francês, inglês, otomano e espanhol — até vir para cá lidar com o resultado de dominação de quinhentos anos do lugar de onde venho.”

Questionada pela mediadora Paula Scarpin sobre o momento político atual dos governos latino-americanos, Sarlo afirmou que o tema da esquerda latino-americana é recorrente em sua vida. “Lula parecia estar cumprindo este sonho da esquerda latino-americana. E agregava esta dimensão a qual nós, latinos, somos muito ligados, e que talvez seja o nosso problema, a do carisma”, disse. “O que me dói ao ver a corrupção brasileira é que isso arruinou uma possibilidade extraordinária. Mas ao menos aqui os envolvidos estão sendo julgados. Grande diferença entre a corrupção argentina e a brasileira. Isto me dá esperança.”

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