O romance de detetive sob suspeita

Em

Em “De frente para o crime”, Sophie Hannah e Leonardo Padura conversaram sobre as muitas camadas ficcionais do romance de detetive (foto de Walter Craveiro)

Levar consciência social aos personagens e se preocupar com a forma da prosa foram os recursos apontados hoje pelo cubano Leonardo Padura como uma maneira de os romances policiais se livrarem do estigma de obra menor. Autor do recente O homem que amava os cachorros, em que reconta a história do assassino do líder soviético Liev Trótski, Padura participou da mesa “De frente para o crime” com a inglesa Sophie Hannah.

“Boa parte da culpa de o romance policial ser considerado um gênero menor é dos escritores que os escrevem como algo menor. Não sei se a minha escrita é boa e grande, mas eu assumi o desafio de que seja”, disse ele, mencionando mestres do gênero que influenciaram sua obra, entre eles o brasileiro Rubem Fonseca e o espanhol Manuel Vázquez Montalbán.

Padura — que reescreve suas histórias várias vezes para que “tudo funcione literariamente da melhor maneira possível” — afirmou que gosta de começar a escrever sem saber de antemão quem será o assassino de sua obra. “De alguma forma, é como se eu mesmo estivesse lendo pela primeira vez o romance que estou escrevendo”, disse.

Escolhida para dar seguimento à série de Hercule Poirot, detetive criado por Agatha Christie, Sophie Hannah comentou a surpresa que lhe causou o desafiante convite da família de Christie. “Tem sido maravilhoso. O único problema é que a Agatha tinha uma casa maravilhosa, onde passava férias, e na qual vou às vezes. E eu não tiro da cabeça a ideia de que os herdeiros deveriam me dar aquela casa”, divertiu-se, arrancando risos da plateia.

Sophie comentou a criação da dupla de detetives que aparece em seus livros, Simon e Charlie, e sobre o encantamento que este tipo de personagem exerce sobre ela. “O que eles têm em comum é o fato de serem brilhantes. E passam o livro inteiro se gabando sobre como são interessantes e como você, leitor, é completamente imbecil”, disse. Criticou o apelo recente para que os romances policiais sejam realistas. “Agora todo mundo decidiu que detetives superinteligentes são menos importantes. Estão mais preocupados com o realismo, a análise de digitais e os dados tecnológicos.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: